Alvelos, orago S. Lourenço,
dizem que tomara este nome do solar dos Alvelos que aqui existiu, família
nobilíssima da qual procedem as maiores casas de Espanha e muitos varões
ilustres de Portugal.
É apelido actualmente pouco
usado, por os seus descendentes deixarem este para tomarem outros.
Diz o conde D. Pedro que os
Alvelos fizeram honrados casamentos, aliando-se com as principais famílias
de Portugal.
E assim foi: Rodrigo Alvelos
casou com D. Mafalda Alonso, bisneta do conde D. Mendo Sousão, da grande casa
dos Sousas; Martim Anes Alvelos, pai de D. Vasco Martins Alvelos, que
foi bispo da Guarda em 1802, casou com D. Elvira Mendes, filha de Mem Gonçalves
da Fonseca, tronco dos Fonsecas; Gonçalo Mendes Alvelos casou com
D. Maria Gil, filha de Gil Fagundes, tronco dos Fagundes, e neta
materna de Vasco Martins Sorrão, chefe dos Mouros e com estes muitos
casamentos e alianças se deram com outras famílias.
Ora estas ligações de famílias efectuaram-se já há muitos séculos e é
ver o leitor o sangue de Alvelos que vai por aí fora, por quase todos os
velhos solares de Portugal.
Homens deste apelido obraram acções
de valor, principalmente na Ásia, em serviço do Rei.
Gonçalo Pires Alvelos serviu, no
vice-reinado de D. Constantino de Bragança, nas guerras de Malabar;
Sebastião Gonçalves Alvelos foi um dos capitães que com galhardia
defendeu Bracalôr e que em 1595 comandou uma das naus que do reino partiu
para a Índia.
A Fernando Álvares Alvelos, escudeiro armado por Lopo Dias de Azevedo, deu
D. João I as terras de Riães, Chaves, pelos seus serviços, e a João
Rodrigues Alvelos mandou D. João III inscrever no catálogo dos Fidalgos
da sua Casa.
Os Alvelos procedem por varonia
dos reis de Leão, por Pedro Anes Alvelos, que foi filho de João Martins
Salça e este de Martim Moniz, o que morreu corajosamente atravessado em
uma porta do castelo de Lisboa, quando da tomada daquela cidade aos mouros
por D. Afonso Henriques.
Outros é certo dizerem que o
sobredito João Martins Salça, irmão de Pedro Martins da Torre, era
filho de Martim Moniz, neto de Moninho Osores e bisneto do Conde D. Osório
de Cabreira.
Isto ainda não está bem
averiguado visto as falhas que há no Registo Civil daquela época.
O poeta, porém diz:
«
De Baguim Martins Soares
A
Martim Martins gerou,
Alvelos
que se chamou
Esforçado
como Paris
D’onde
Alvelos ficou.»
E contentemo-nos com isto!
Alvelos vem de Albellus, nome gótico.
Existiu nesta freguesia um
convento de freiras beneditinas, muito antigo, que o Arcebispo de Braga
suprimiu em 1480, passando as rendas para a Mitra por Bula do Papa Xisto
IV.
Não custa a acreditar que esta freguesia, e talvez outras,
pertencesse ao Couto deste convento, pois geralmente as terras anexas
aos mosteiros beneditinos eram privilegiadas, e que mais tarde,
depois da sua extinção, passassem para o de Vilar de Frades (Pinto Leal
no seu «Dicionário» vol.1, v. «Alvelos» diz que esta freguesia
pertenceu ao Couto de Vilar de Prades).
E assim a apresentação dos seus Abades, que primitivamente devia
ser daquele convento, extinto ele, passou com todas as rendas para a Mitra
de Braga, ficando o Arcebispo a ser o seu Padroeiro até 1834.
A antiga Igreja Matriz existiu fora do Adro da actual, um pouco ao
poente desta, do lado sul da Residência Paroquial, restos esta do edifício
do seu velho mosteiro.
Esta igreja, antigo templo conventual, arruinada, insalubre e
insuficiente à população, foi arrasa em 1870 e logo edificada a actual,
alta, espaçosa e airosa, encostada a sua fachada a uma desempenada torre
para os seus sinos e relógio.
Em frente estende-se um amplo terreiro que vem até à estrada, no
fim do qual, do outro lado da mesma, ergue-se a pequenina Capela de
Nossa Senhora das Dores, com seu alpendre, a sede da Confraria do
mesmo nome.
Esta confraria foi fundada em 1756, com estatuto aprovado em 1831.
Ao nascente desta capela, ao cimo de um alto escadório está o
Cemitério Paroquial, cujo portão ostenta a data de 1893.
Ao sul, do mesmo lado da estrada, vê-se a Capela Santa Cruz,
levantada com esmolas no ano de 1840.
É um bem aconchegado templozinho com seu torreão a facear a
fachada.
Ao poente da Igreja Matriz, do outro lado do rio, existe a
pequenina e velha Capelinha do Socorro, pertencente ao Sr. António
Vasconcelos Bandeira de Lemos.
É servida esta freguesia pela Estrada Nacional 306, que de
Barcelos vai às Fontainhas e por outra municipal que partindo daquela no
lugar do Areal, da freguesia de Barcelinhos, para pelos lugares do Souto
das Freiras, Barbeira e Pinheiro, vai por Remelhe às Carvalhas e Chorente
e daí com ramificações para outras estradas.
É atravessada pelo Rio dos Ameais, a que chamam aqui Rio de
Moinhos.
As suas fontes públicas são: a da Devesa, a da Igreja, a de Lamaçães,
a do Pinheiro, a da Presa e a de Rio e Moinhos.
Situada em vale fértil, confronta ao norte com Barcelinhos e
Carvalhal, ao poente e sul com Pereira e ao nascente com Remelhe e Gamil.
Vem esta freguesia nas inquirições de D. Afonso II e nelas se vê
que Várzea tinha VI casais e testamentos, os quais estavam isentos de
foros e dádivas, o que não sucedia aos outros que pagavam voz e calunia
e fossadeira.
No censo da população de 1527 vem esta freguesia no «Jullguado
de Farya» com 49 moradores; no século XVII tinha 90 vizinhos; no século
XVIII tinha 95 fogos; no século XIX tinha 539 habitantes e pelo último
censo da população tem 748 habitantes, sendo 333 do sexo feminino,
sabendo ler 131 varões e 54 mulheres.
Esta população agrupa-se nos seguintes lugares habitados: Quintã
de Alvelos, Carreira, Pinheiro, Paço, Presa, Igreja, Devesa, Giestas, Rio
de Moinhos, Agra, Lavadouros, Barbeira, Souto das Freiras, Outeiro, Senhor
do Galo, Socorro, Santa Cruz, Trancão, Lameiros, Sanguinhal, Preto e
Rabadela.
As suas casas mais importantes são: a do Paço, a do Visconde de
Azevedo Ferreira, a do Mandre, a do Gonçalves, a de Barbeira, a de Lamaçães,
a do Carvalho, a do Grande, a dos Leitões em Rio de Moinhos, a do Miguel
Gomes no lugar do Preto, a do Socorro em cujo portal tem a data 1745, e a
da Rabadela.
A esta última casa andava unida a Capela do Socorro. Esta capela
é muito antiga. Ignorando a data da sua fundação já porém aparece
mencionada em documentos nos fins do século XVII.
Era sepultura privativa dos antepassados da família a quem
actualmente pertence.
Dizem que junto à Casa do Paço existiu uma torre de paredes
denegridas com portas e janelas ogivais e que foi demolida no século XVII.
Tem duas escolas, uma para cada sexo, criadas por iniciativa do
grande benemérito Visconde de Azevedo Ferreira, as quais foram
inauguradas em 21 de Junho de 1891 e o edifício para as mesmas, mandado
fazer por aquele benfeitor, foi entregue à Câmara Municipal em 1907.
Tem caixa de correio.
A sua indústria compreende vários moinhos de farinar, engenhos de
cerrar madeira e a industria
tÍpica de fazer jugos para bois e rodeiros para carros de lavoura.
O
seu comércio é constituído por três lojas de mercearia.